Essa é uma dúvida comum entre quem convive com a bipolaridade, seja vivendo com o transtorno ou cuidando de alguém que o tem.
Afinal, lidar com episódios de depressão profunda e mania intensa pode afetar bastante a vida profissional, não é?
Vamos esclarecer isso de forma clara e direta.
A bipolaridade pode levar à aposentadoria por invalidez?
Sim, pode.
Mas calma. Não é automático.
Ter o diagnóstico de transtorno bipolar não garante a aposentadoria. O que realmente importa é o grau de comprometimento funcional que a condição provoca na vida da pessoa.
Em outras palavras: o quanto o transtorno impede que você trabalhe de forma estável, segura e produtiva.
Como o transtorno bipolar pode afetar o trabalho?
Depende de cada pessoa. Mas os episódios de mania e depressão podem ser extremamente incapacitantes.
Durante uma crise de depressão bipolar, a pessoa pode:
- Sentir uma tristeza profunda e constante
- Ter dificuldade de concentração e memória
- Ficar sem energia para atividades básicas
- Se isolar completamente
- Ter pensamentos suicidas
Durante uma crise de mania, por outro lado, pode:
- Agir de forma impulsiva e arriscada
- Ter dificuldade de seguir rotinas ou hierarquias
- Falar demais, agir sem pensar
- Dormir pouco e perder a noção da realidade
- Ter delírios de grandiosidade ou comportamento agressivo
Agora imagine tudo isso acontecendo com frequência. Ou durando semanas seguidas. Isso complica bastante a permanência em um ambiente de trabalho.
O que a lei diz sobre isso?
No Brasil, o transtorno bipolar é reconhecido como doença mental grave que pode gerar direito a aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença, desde que comprovada a incapacidade para o trabalho.
Esses benefícios são concedidos pelo INSS, e dependem de laudos médicos, avaliações psiquiátricas e, em alguns casos, perícia judicial.
Quais são os critérios?
Para conseguir a aposentadoria por bipolaridade, é necessário:
- Ter contribuído para o INSS (salvo casos específicos com direito a BPC/LOAS)
- Comprovar o diagnóstico com laudos, receitas e histórico médico
- Demonstrar que a condição é incapacitante e irreversível para o trabalho
- Passar por perícia médica do INSS
Se a incapacidade for temporária, o benefício concedido será o auxílio-doença. Se for permanente e sem previsão de recuperação, pode virar aposentadoria por invalidez.
E se a pessoa estiver em tratamento?
Estar em tratamento é positivo, e mostra cuidado com a saúde. Mas nem sempre isso significa que a pessoa está apta para voltar ao trabalho.
Muitos pacientes seguem em tratamento contínuo, com medicação, terapia e ainda assim enfrentam recaídas frequentes, efeitos colaterais severos ou dificuldades cognitivas persistentes.
Cada caso é analisado individualmente.
É preciso ter crises graves?
Sim, geralmente os casos que levam à aposentadoria são aqueles em que:
- As crises são recorrentes e intensas
- Há histórico de internações psiquiátricas
- O tratamento não estabiliza completamente os sintomas
- O profissional não consegue manter vínculo de trabalho por longos períodos
Quem pode ajudar nesse processo?
É essencial ter o acompanhamento de:
- Psiquiatra, que vai emitir laudos técnicos e acompanhar a evolução do quadro
- Advogado previdenciário, que entende do processo e pode orientar nos recursos, se necessário
- Assistente social, especialmente em casos de baixa renda e acesso ao BPC/LOAS
E se o INSS negar o pedido?
Isso acontece com frequência. Mas você pode:
- Apresentar recurso administrativo
- Entrar com ação judicial
- Solicitar uma nova perícia com mais documentos e laudos
Muitas decisões são revertidas na Justiça quando o transtorno realmente afeta a capacidade de trabalho.
Dá para trabalhar mesmo com bipolaridade?
Sim, muitas pessoas com transtorno bipolar conseguem trabalhar normalmente, especialmente quando o tratamento é eficaz e as crises estão controladas.
Cada caso é único.
A aposentadoria é uma medida para os casos mais graves, onde nenhuma adaptação ou tratamento consegue manter a estabilidade funcional no ambiente de trabalho.
E a pessoa perde os direitos se melhorar?
Se o quadro melhorar a ponto de permitir o retorno ao trabalho, o benefício pode ser suspenso. Mas isso é avaliado cuidadosamente por perícia.
A ideia é garantir proteção quando há real incapacidade. Se a pessoa voltar a ter autonomia e estabilidade, pode reingressar no mercado de trabalho normalmente.
Vivendo com dignidade e informação
O transtorno bipolar é sério. Mas com o diagnóstico correto, tratamento contínuo e apoio adequado, é possível viver com qualidade e dignidade — trabalhando ou não.
E se a sua realidade for de grande limitação, saiba que você tem direitos. Não tenha vergonha de buscar apoio legal e médico.
Onde buscar ajuda?
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
- Clínicas de psiquiatria conveniadas ao SUS
- Defensoria Pública para assistência jurídica gratuita
- INSS para agendamento de perícia ou revisão de benefício
Se precisar de orientação, nossa equipe está aqui para ajudar. Com sigilo, empatia e compromisso com sua saúde mental.
Lembre-se: pedir aposentadoria por bipolaridade não é desistir de viver. É garantir o suporte necessário para cuidar da saúde com mais tranquilidade e respeito.