Principais Tipos de Esquizofrenia e Suas Diferenças

Conheça os principais tipos de esquizofrenia, suas características específicas e diferenças. Entenda como cada tipo é diagnosticado e tratado.
Principais Tipos de Esquizofrenia e Suas Diferenças
O que esse artigo aborda:

Você já ouviu falar que a esquizofrenia tem diferentes tipos? Muita gente não sabe disso.

Este transtorno mental afeta cerca de 1% da população mundial. Mas não se manifesta igual em todos.

Cada tipo de esquizofrenia tem sintomas específicos. E precisa de abordagens diferentes de tratamento.

Entender essas diferenças pode ajudar no diagnóstico precoce. E melhorar o prognóstico dos pacientes.

Neste artigo, vou explicar os principais tipos de esquizofrenia. E mostrar o que torna cada um único.

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é um transtorno mental complexo. Afeta como a pessoa pensa, sente e se comporta.

Ela distorce a percepção da realidade. Causa alterações no pensamento, nas emoções e nas ações.

Os sintomas geralmente começam entre 16 e 30 anos. Aparecem antes nos homens do que nas mulheres.

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que compromete diversas funções psíquicas, alterando a forma como o indivíduo interpreta a realidade e se relaciona com o mundo” (OLIVEIRA, 2022).

Na minha experiência clínica, vejo que cada caso é único. Mesmo dentro do mesmo tipo de esquizofrenia.

A doença não é resultado de “dupla personalidade”. Nem de “fraqueza de caráter”. É uma condição médica séria.

Suas causas envolvem fatores genéticos, biológicos e ambientais. A hereditariedade tem papel importante.

A esquizofrenia altera a estrutura e a química do cérebro. Afeta neurotransmissores como dopamina e glutamato.

Tipos mais comuns de esquizofrenia

Até 2013, os manuais psiquiátricos dividiam a esquizofrenia em subtipos. Hoje, essa classificação mudou.

O DSM-5 (Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais) removeu os subtipos oficiais. Agora fala em “espectro”.

Mesmo assim, os tipos históricos ainda ajudam a entender as diferentes manifestações. E são úteis na prática clínica.

Vamos conhecer os quatro principais tipos que foram reconhecidos por décadas. E que ainda orientam abordagens clínicas.

Esquizofrenia paranoide: características e manifestações

Este é o tipo mais comum de esquizofrenia. Se caracteriza principalmente por delírios e alucinações.

Os delírios são crenças falsas, mas firmes. O paciente pode acreditar que está sendo perseguido. Ou que tem uma missão especial.

As alucinações são percepções sem estímulo real. Geralmente, são auditivas. A pessoa ouve vozes que outros não ouvem.

Um paciente meu acreditava que agentes secretos o vigiavam. Ouvia vozes comentando suas ações. Era impossível convencê-lo do contrário.

Pessoas com esquizofrenia paranoide costumam manter funções cognitivas. Sua fala e comportamento podem parecer normais.

Isso às vezes atrasa o diagnóstico. Parentes notam “apenas” desconfiança excessiva ou ideias estranhas.

Este tipo tende a responder bem ao tratamento medicamentoso. Especialmente aos antipsicóticos modernos.

A paranoia pode gerar comportamento hostil ou defensivo. Mas raramente leva à violência, ao contrário do estigma popular.

Esquizofrenia desorganizada: sintomas e particularidades

Antes chamada de esquizofrenia hebefrênica. Tem como marca principal a desorganização do pensamento e comportamento.

A fala é gravemente desorganizada. A pessoa pula de um assunto para outro. Cria palavras novas. Repete frases sem sentido.

O comportamento parece bizarro ou imprevisível. Podem ter gestos inadequados. Ou agir de forma infantil.

As expressões emocionais são inapropriadas. Riem de coisas tristes. Choram sem motivo aparente. Mostram emoções que não combinam com a situação.

Atendi uma jovem que falava frases desconexas. Usava roupas em camadas mesmo no calor. Ria durante consultas sérias.

Os delírios neste tipo são menos estruturados. E as alucinações menos proeminentes que no tipo paranoide.

A higiene pessoal e os cuidados básicos ficam comprometidos. A pessoa pode parecer desleixada ou não se importar com a aparência.

Este tipo geralmente começa mais cedo. E tem prognóstico mais desafiador que o paranoide.

Esquizofrenia catatônica: alterações psicomotoras específicas

Este é um tipo mais raro hoje em dia. Se caracteriza por alterações extremas na atividade motora.

A pessoa pode ficar completamente imóvel. Em “estupor catatônico”. Como se estivesse congelada em uma posição.

Ou pode mostrar agitação extrema. Movimentos repetitivos sem propósito. Que não são influenciados por estímulos externos.

Um sinal clássico é a “flexibilidade cérea”. Os membros do paciente ficam como cera. Mantêm a posição em que são colocados.

O mutismo é comum. A pessoa para de falar completamente. Ou repete mecanicamente o que os outros dizem (ecolalia).

“A catatonia representa um conjunto de sintomas psicomotores que podem ocorrer em diversos transtornos psiquiátricos, sendo historicamente associada à esquizofrenia, embora hoje saibamos que pode se manifestar em outras condições médicas e psiquiátricas” (SILVA, 2021).

Vi um caso impressionante de um homem que ficou na mesma posição por horas. Não respondia a chamados. Mas seus olhos seguiam movimentos.

Este tipo pode representar risco à saúde. Por desidratação ou desnutrição durante estados catatônicos prolongados.

Atualmente, a catatonia é tratada como uma síndrome. Pode aparecer em outros transtornos além da esquizofrenia.

Esquizofrenia residual: sinais e evolução da doença

Este termo descreve uma fase. Geralmente após episódios agudos de outro tipo de esquizofrenia.

Os sintomas positivos (delírios, alucinações) diminuem. Mas persistem sintomas negativos (apatia, falta de motivação).

A pessoa tem pouca expressão emocional. Fala pouco. Mostra pouco interesse em atividades e relacionamentos.

A socialização fica prejudicada. A pessoa se isola. Tem dificuldade para manter conversas ou amizades.

Um paciente de longa data passou de delírios intensos para um estado mais calmo. Mas perdeu a vontade de fazer qualquer coisa.

Funções cognitivas como memória e atenção podem ficar prejudicadas. Tarefas simples se tornam desafiadoras.

Este tipo indica cronicidade da doença. E a necessidade de suporte contínuo mesmo com menos sintomas dramáticos.

O foco do tratamento muda. Passa a ser a reabilitação social e ocupacional. E a melhora da qualidade de vida.

Principais diferenças entre os tipos de esquizofrenia

A principal diferença está nos sintomas predominantes. Cada tipo tem suas marcas características.

Na esquizofrenia paranoide, dominam delírios e alucinações. A cognição e funções executivas estão mais preservadas.

Na desorganizada, o pensamento e comportamento são caóticos. A comunicação é gravemente afetada. As emoções são inapropriadas.

Na catatônica, os sintomas motores são o centro. Imobilidade ou agitação extrema. Posturas estranhas. Resistência a movimentos.

Na residual, os sintomas positivos diminuem. Mas ficam os negativos e cognitivos. Como um “fantasma” da doença ativa.

O início também difere. O tipo desorganizado tende a começar mais cedo. O paranoide geralmente mais tarde.

O prognóstico varia. O tipo paranoide costuma ter melhor resposta ao tratamento. O desorganizado tem mais desafios.

A capacidade funcional é outra diferença. Pessoas com tipo paranoide podem manter empregos ou estudos. Os outros tipos têm mais prejuízos.

A consciência da doença também varia. Pacientes paranoides raramente reconhecem estar doentes. Os residuais às vezes têm mais insight.

Essas diferenças guiam as abordagens terapêuticas. E ajudam a prever desafios específicos em cada caso.

Como é realizado o diagnóstico dos tipos de esquizofrenia

O diagnóstico é clínico. Não existem exames de laboratório ou de imagem que confirmem esquizofrenia.

Um psiquiatra avalia os sintomas. Através de entrevistas detalhadas com o paciente e familiares.

Os critérios seguem manuais como o DSM-5 ou CID-11. Que exigem sintomas específicos por pelo menos seis meses.

Exames físicos e neurológicos são feitos. Para descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes.

O diagnóstico diferencial da esquizofrenia é complexo, exigindo exclusão de causas orgânicas, intoxicações por substâncias e outros transtornos psiquiátricos que podem mimetizar seus sintomas” (MARTINS, 2019).

A história familiar tem peso. Cerca de 10% das pessoas com parentes de primeiro grau com esquizofrenia desenvolvem o transtorno.

A observação do comportamento é fundamental. Principalmente para identificar tipos como o catatônico.

Os sintomas devem causar prejuízo significativo. Na vida social, profissional ou em outras áreas importantes.

Atualmente, o diagnóstico enfatiza mais a gravidade dos sintomas. E menos a categorização em subtipos específicos.

Essa abordagem dimensional reflete melhor a realidade. Muitos pacientes apresentam sintomas mistos de diferentes tipos.

Tratamentos disponíveis para cada tipo de esquizofrenia

O tratamento varia conforme o tipo e a fase da doença. Mas sempre envolve medicação e terapias complementares.

Para o tipo paranoide, antipsicóticos de segunda geração são a base. Como risperidona, olanzapina ou aripiprazol.

No tipo desorganizado, além dos antipsicóticos, a terapia comportamental é essencial. Para ajudar nas rotinas e habilidades sociais.

Para sintomas catatônicos, benzodiazepínicos como lorazepam são usados. Em casos graves, a eletroconvulsoterapia mostra bons resultados.

No tipo residual, medicações para sintomas negativos são o foco. Junto com reabilitação psicossocial e terapias ocupacionais.

A psicoterapia individual adapta-se a cada tipo. Terapia cognitivo-comportamental para delírios paranoides. Treino de habilidades sociais para o tipo desorganizado.

A terapia familiar é fundamental em todos os tipos. Familiares precisam entender as particularidades de cada manifestação.

Grupos de apoio específicos existem. Para pacientes com mais sintomas positivos. Ou para aqueles com mais sintomas negativos.

Moradia assistida e programas de reabilitação vocacional ajudam. Principalmente nos tipos desorganizado e residual.

Lembro de um caso de sucesso com esquizofrenia paranoide. Com medicação certa e terapia, o paciente voltou a trabalhar.

As vozes não desapareceram completamente. Mas ele aprendeu a “não dar importância a elas”.

Conclusão

A esquizofrenia não é uma condição única e homogênea. Manifesta-se de formas diferentes em cada pessoa.

Conhecer os tipos principais ajuda no reconhecimento precoce. E na escolha do tratamento mais adequado.

O tipo paranoide caracteriza-se por delírios e alucinações. O desorganizado por pensamento e comportamento caóticos.

O catatônico apresenta alterações motoras extremas. O residual mostra mais sintomas

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