Esquizofrenia: O que é, sinais, diagnóstico e tratamentos

Descubra o que é esquizofrenia, seus sinais, diagnóstico e tratamentos atuais. Guia completo para familiares e pessoas que buscam entender esse transtorno.
O Que é Esquizofrenia Entenda os Sintomas e Diagnósticos
O que esse artigo aborda:

O QUE É ESQUIZOFRENIA E COMO SE MANIFESTA

Já ouviu falar em esquizofrenia? O nome assusta muita gente.

A esquizofrenia é um transtorno mental complexo. Afeta como a pessoa pensa e percebe o mundo. Muda a forma como ela se comporta. Altera a expressão das emoções.

Tudo começa geralmente no fim da adolescência. Ou no início da vida adulta. Os homens tendem a manifestar mais cedo. As mulheres um pouco mais tarde.

Vi muitos pacientes que não entendiam o que estava acontecendo. Um deles me disse: “Doutor, é como se meu cérebro tivesse sido invadido”. Outro comparou com “viver em um filme de terror sem intervalo”.

A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial, sem distinção entre países ou culturas. “A esquizofrenia representa um dos maiores desafios da psiquiatria moderna, com impacto significativo não apenas para o indivíduo, mas para toda a estrutura familiar e social” (SILVEIRA, 2019).

O transtorno não é raro. Conheço famílias inteiras que convivem com ele. E muitas conseguem boa qualidade de vida com tratamento adequado.

PRINCIPAIS TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

ESQUIZOFRENIA PARANOIDE E DESORGANIZADA

A esquizofrenia paranoide é a mais comum. Vejo isso diariamente no consultório.

Nesse tipo predominam os delírios e as alucinações. Os delírios são geralmente de perseguição. A pessoa acredita que está sendo vigiada. Ou que querem prejudicá-la.

Tive um paciente que cobria todas as tomadas do apartamento. Acreditava que havia câmeras escondidas. Era um engenheiro brilhante antes da doença.

Já a esquizofrenia desorganizada é diferente. O que chama atenção é o comportamento caótico. O discurso confuso. As emoções inapropriadas.

Ana, uma paciente de 24 anos, chegou ao consultório rindo enquanto contava o falecimento do pai. Depois chorou ao falar sobre o almoço. Suas frases não faziam sentido completo.

ESQUIZOFRENIA CATATÔNICA E RESIDUAL

A forma catatônica é menos frequente hoje. Graças aos tratamentos modernos.

Na catatonia, o paciente pode ficar imóvel por horas. Como uma estátua. Ou ter movimentos repetitivos sem propósito.

Atendi um jovem que permaneceu 4 horas na mesma posição. Braços estendidos. Olhar fixo. Nem piscava. Foi assustador até para mim, com anos de experiência.

A forma residual aparece quando os sintomas agudos diminuem. Ficam apenas sintomas “negativos”. Falta de motivação. Afastamento social. Pouca expressão emocional.

TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO E SUAS CARACTERÍSTICAS

O transtorno esquizoafetivo mistura esquizofrenia com transtorno de humor. É como ter duas condições ao mesmo tempo.

Esses pacientes têm delírios e alucinações. Mas também apresentam períodos de depressão profunda. Ou fases de euforia e agitação.

Marina, professora de 38 anos, ouvia vozes criticando seu trabalho. Ao mesmo tempo, tinha episódios de energia extrema. Ficava dias sem dormir. Depois caía em depressão severa.

É como andar numa montanha-russa emocional. E ainda ter a realidade distorcida.

SINAIS E SINTOMAS DA ESQUIZOFRENIA

SINTOMAS POSITIVOS: DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES

Os sintomas “positivos” não são bons. São chamados assim porque “adicionam” algo à experiência normal.

As alucinações são muito comuns. A pessoa vê, ouve ou sente coisas que não existem na realidade.

Vozes são a forma mais frequente. Um paciente meu descrevia vozes que comentavam tudo o que ele fazia. “É como ter locutores narrando sua vida. Mas são cruéis e nunca calam”.

Os delírios são crenças falsas. Inabaláveis mesmo diante de provas contrárias.

Carlos, advogado de 42 anos, acreditava que tinha um chip implantado no cérebro. Estava convencido que a CIA monitorava seus pensamentos. Nenhuma explicação médica o convencia do contrário.

SINTOMAS NEGATIVOS: EMBOTAMENTO AFETIVO E ISOLAMENTO

Os sintomas negativos “subtraem” aspectos normais da vida.

O embotamento afetivo reduz as expressões emocionais. O rosto fica sem vida. A voz monótona. É difícil demonstrar alegria ou tristeza.

O isolamento social é frequente. A pessoa perde interesse em amigos e família. Abandona hobbies. Prefere ficar sozinha.

Pedro era músico. Tocava em bandas desde os 16 anos. Após o início da esquizofrenia, guardou todos os instrumentos. Passou a evitar encontros. Seu quarto virou seu mundo.

Esses sintomas causam muito sofrimento às famílias. É difícil reconhecer quem se ama nessa nova forma de ser.

DESORGANIZAÇÃO DO PENSAMENTO E COMPORTAMENTO

O pensamento desorganizado afeta a comunicação. As ideias não seguem uma linha lógica. Palavras se misturam sem sentido.

O comportamento também muda. A pessoa pode vestir roupas inadequadas para o clima. Ou ter gestos estranhos sem motivo aparente.

Uma paciente chegou ao consultório no inverno usando três blusas. Todas do avesso. E um chapéu de praia. Quando perguntei sobre sua escolha, respondeu: “As paredes têm ouvidos de algodão doce”.

É como se o cérebro embaralhasse as informações. E não conseguisse organizá-las de forma compreensível.

CAUSAS E FATORES DE RISCO PARA ESQUIZOFRENIA

ALTERAÇÕES NEUROBIOLÓGICAS E DESEQUILÍBRIOS NEUROQUÍMICOS

O cérebro de quem tem esquizofrenia funciona diferente. Isso já está comprovado.

Há alterações nos neurotransmissores. Principalmente na dopamina. É como se algumas áreas recebessem dopamina demais. E outras de menos.

Exames de imagem mostram diferenças estruturais. Algumas regiões cerebrais têm tamanho reduzido. Outras conexões neuronais são diferentes.

“Estudos de neuroimagem demonstram alterações consistentes em regiões como o córtex pré-frontal, hipocampo e sistema límbico, sugerindo um desenvolvimento neuronal atípico associado à esquizofrenia” (OLIVEIRA, 2022).

FATORES GENÉTICOS E HEREDITARIEDADE

A genética pesa muito na esquizofrenia. Isso está claro para quem trabalha na área.

Quem tem um familiar de primeiro grau com o transtorno tem risco maior. Se ambos os pais têm esquizofrenia, o risco aumenta ainda mais.

Estudos com gêmeos mostram isso claramente. Se um gêmeo idêntico tem esquizofrenia, o risco para o outro é de cerca de 50%.

Não é um único gene, mas vários que contribuem. É como um quebra-cabeça genético complexo.

INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS E EVENTOS DESENCADEADORES

Os genes não explicam tudo. O ambiente também importa.

Complicações durante a gravidez ou parto podem aumentar o risco. Infecções virais na gestação. Desnutrição materna. Falta de oxigênio no parto.

Traumas na infância parecem ter papel importante. Abuso físico ou sexual. Negligência grave. Bullying constante.

O uso de drogas pode desencadear a doença em pessoas predispostas. Cannabis é a mais estudada. Principalmente em adolescentes.

Conheci um jovem que nunca teve sintomas até os 18 anos. Começou a usar maconha diariamente. Em seis meses teve seu primeiro surto psicótico.

DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DA ESQUIZOFRENIA

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS E AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA

Diagnosticar esquizofrenia exige cuidado. Não existe um exame de sangue ou imagem definitivo.

O psiquiatra avalia os sintomas. Analisa o histórico médico completo. Conversa com familiares quando possível.

Os sintomas precisam durar pelo menos seis meses. E causar prejuízo significativo na vida da pessoa.

É preciso excluir outras causas possíveis. Transtornos de humor. Efeitos de drogas. Condições médicas gerais.

EXAMES COMPLEMENTARES E EXCLUSÃO DE OUTRAS CONDIÇÕES

Sempre peço exames para meus pacientes com sintomas psicóticos. Isso é fundamental.

Exames de sangue básicos. Testes toxicológicos. Avaliação da tireoide. Exames de imagem cerebral.

Algumas condições podem imitar a esquizofrenia. Tumores cerebrais. Doenças autoimunes. Epilepsia do lobo temporal. Intoxicações.

Uma paciente foi tratada como esquizofrênica por anos. Descobrimos depois que tinha lúpus com manifestações neuropsiquiátricas. O tratamento correto mudou sua vida.

IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE PARA O PROGNÓSTICO

Quanto antes iniciar o tratamento, melhor. Isso muda o futuro do paciente.

O primeiro episódio psicótico é uma emergência. Não deve esperar na fila. Cada semana sem tratamento piora o prognóstico.

Criei um programa de primeiro episódio psicótico na minha clínica. Os resultados são impressionantes. Pessoas voltam a estudar. A trabalhar. A viver.

O diagnóstico rápido reduz o estigma. Diminui o trauma. Preserva relacionamentos. Salva vidas.

TRATAMENTOS EFICAZES PARA ESQUIZOFRENIA

MEDICAMENTOS ANTIPSICÓTICOS TÍPICOS E ATÍPICOS

Os antipsicóticos são essenciais no tratamento. Eles não curam. Mas controlam sintomas.

Os típicos (primeira geração) foram os primeiros. Funcionam bem para delírios e alucinações. Mas podem causar efeitos colaterais motores.

Os atípicos (segunda geração) surgiram depois. Têm menos efeitos motores. Alguns ajudam também nos sintomas negativos.

Cada pessoa responde de forma única. O que funciona para um pode não funcionar para outro. Isso exige paciência e ajustes.

INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS E REABILITAÇÃO COGNITIVA

Remédios são apenas parte do tratamento. Psicoterapia é fundamental.

A terapia cognitivo-comportamental ajuda muito. Ensina a lidar com delírios. A reconhecer alucinações como sintomas.

A reabilitação cognitiva treina funções mentais prejudicadas. Memória. Atenção. Planejamento. Organização.

Grupos de apoio fazem diferença enorme. Pacientes trocam experiências. Famílias compartilham estratégias.

ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR E SUPORTE FAMILIAR

O tratamento ideal envolve vários profissionais. Psiquiatra. Psicólogo. Terapeuta ocupacional. Assistente social.

A família precisa de orientação clara. De apoio contínuo. De esperança realista.

Criei grupos para familiares na minha clínica. O impacto é impressionante. Pais aprendem a lidar com situações difíceis. Descobrem que não estão sozinhos.

Roberto, pai de um paciente, disse algo tocante: “Antes do grupo, eu vivia em desespero. Agora tenho ferramentas. E amigos que entendem o que estou passando”.

ESTRATÉGIAS DE MANEJO E PREVENÇÃO DE CRISES

Prevenir crises é possível. Isso muda tudo para o paciente e família.

Aprenda a identificar sinais de alerta. Mudanças no sono. Irritabilidade crescente. Isolamento súbito. Abandono da medicação.

Tenha um plano de crise pronto. Quem contatar. Onde ir. O que fazer até chegar ajuda.

Mantenha rotinas estáveis. Sono regular. Alimentação adequada. Atividade física moderada. Menos estresse.

Evite gatilhos conhecidos. Cada pessoa tem os seus. Para alguns, multidões. Para outros, privação de sono.

Maria, uma paciente estável há anos, sabe que precisa dormir oito horas por noite. Quando dorme menos por três dias seguidos, procura ajuda. Isso evitou muitas internações.

CONCLUSÃO

Viver com esquizofrenia é desafiador. Mas há motivos para esperança.

Os tratamentos melhoram a cada ano. Muitos pacientes têm vidas produtivas e felizes. Trabalham. Estudam. Amam. Constroem famílias.

O estigma ainda existe. E dói. Mas está diminuindo aos poucos. Com informação correta. Com histórias reais de recuperação.

Se você cuida de alguém com esquizofrenia, cuide também de si. Busque apoio. Divida responsabilidades. Preserve sua saúde mental.

Para quem vive com o transtorno: você não é sua doença. É uma pessoa com sonhos, talentos e valor. O tratamento abre portas para uma vida mais plena.

Busque ajuda profissional se você reconheceu sintomas em si ou em alguém próximo. O caminho pode ser difícil. Mas você não precisa percorrê-lo sozinho.

REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, M. F. Neurobiologia da esquizofrenia: avanços em neuroimagem e implicações clínicas. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 44, n. 2, p. 118-130, 2022. Disponível em:

https://www.scielo.br/j/rbp/a/Ff6wXPqgCXt6fVRGrSnvTdK/?format=pdf&lang=pt

SILVEIRA, A. R. Esquizofrenia: fisiopatologia, diagnóstico e perspectivas terapêuticas contemporâneas. Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, v. 71, n. 3, p. 215-228, 2019. Disponível em:

https://www.scielo.br/j/rpc/a/53rBmDJg5jpsRDNypdX9t5v

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